Carneiro por bode assado, bagre do norte por surubim na brasa, peixada de dentão por cioba... Recife está se tornando a capital do estelionato gastronômico.
Uma vergonha de corar, ainda mais quando nossa Secretaria de Turismo, desde a época do governo Jarbas, vende a falácia que somos o segundo pólo de gastronomia do Brasil. Como sempre, a velha mania de grandeza pernambucana...
Foi-se o tempo em que a enganação nos restaurantes e bares recifenses se resumia trocar a picanha argentina - por sinal considerada carne de segunda pra churrasco na mesa dos nossos vizinhos europeus, pela inocente picanha nacional - mais durinha e com menor teor de gordura. Meu coração, por sinal, agradece a preocupação dos chefs pernambucanos pelo meu colesterol.
Hoje a enrolação nas casas de pasto do Recife envolve mais que falta de ética e economia de custos. É uma questão de segurança alimentar e desrespeito ao consumidor, que paga gato por lebre consumindo o que não queria - e muitas vezes - o que nem poderia comer. Um perigo constante para celíacos, diabéticos, hipertensos e consumidores em regime alimentar.
Conversando no trabalho com o amigo Edgar "Smigol", auto-proclamado puta velha em mesa de bar e calejado nesta arte de 171, descobrimos outros "mocós" utilizados para ludibriar o consumidor, senão vejamos:
CAROÇO DE JACA POR CASTANHA-DO-PARÁ: Castanha é cara, meu amigo... a solução é caroço de jaca dura! Coloca-se o caroço da jaca pra cozinhar e depois no forno... despela um pouquinho, salga e mistura com a castanha-do-pará original. Ninguém percebe a diferença.
FARINHA DE TRIGO NO CASQUINHO DE CARANGUEJO: Um perigo para celíacos. Para dar mais volume e consistência, prepara-se o pirão do caranguejo com bastante farinha de trigo. Certo dia levei um casal alagoano amigo para um estabelecimento da cidade, famoso por vender guaiamum gigante e seus casquinhos de caranguejo virem esborrando fartamente no prato. Quase que a esposa do amigo saia direto do bar para a emergência do hospital.
BANANINHA POR ALCATRA NO ESPETINHO: Depois de assada na brasa, toda carne é parecida... no espetinho então, tudo pode virar gato por lebre. Na hora da crise, a bananinha - carne gordurosa de segunda, vira alcatra... a vantagem é que por ter uma gordura entranhada na carne, a bananinha fica com o sabor muito bom quando na brasa, mas o colesterol é bem maior que o da alcatra, carne magra de 1ª.
CAÇÃO NO ENSOPADO DE ARATU: Cozinha-se o peixe cação (filhote de tubarão), desfia-se e mistura na carne de caranguejo ou aratu na hora do ensopado... por ter um sabor muito suave, incorpora o do crustáceo e passa inperceptível no prato, dando bastante volume.
PINGO DE VELA NO MEDIDOR DE WHISKY: Depois da 3ª ou 4ª dose, Matus Pobris vira Johnie Walker, Odeio-te vira Ballantine's... o que pouca gente conta é com a malícia do garçon safado, que mete pingo de vela no fundo do medidor de doses e te rouba até 50% da dose... Desconfie quando o garçon já trouxer um copo com gelo e água no fundo e despejar a dose direto nele, e ainda se você beber muito e sentir que não está ficando bêbado...
Que saudade da época da crise de abastecimento no Governo Sarney, quando a gente comia carne de cavalo, mas o vendedor pelo menos fazia questão de avisar...
sábado, 14 de novembro de 2009
Recife: Capital do Estelionato Gastronômico
Escrivinhou Creuzo Catarino às 10:37
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1 Pitacos. Dê o seu pro AF aqui você também!:
Vale salientar o papelão (depois de um dia de molho) misturado a soja, sendo vendido complemento alimentar nos cachorros quentes alí naquelas ruas adjacentes à Guararapes.
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